Viva México! - Um pouquinho de História , Hidalgo e seus companheiros!

Ontem, 07 de setembro foi o dia da Indepêndencia do Brasil.


O que "pega"quando a gente vem morar fora, é que a educação escolar do seu filho, muda completamente.  Minha filha não sabe quem foi D. Pedro II e que hoje, nas margens do rio Ipiranga, ele gritou Independência ou Morte. Mas já tá me dando uma aula sobre Miguel Hidalgo e sua turminha no movimento da Independência Mexicana. 
Cabe a nós, pais, tentar sentar e contar um pouco, dar livros de presente sobre a História do Brasil. Porque aqui no México amigos, a Independência e o amor a pátria é coisa de outro mundo.
Estou de queixo caído de como o país se vestiu das cores da bandeira, de como está enfeitado. Na copa, não tinha nada disso. E os convites começaram a chegar, pro "Dia do Grito". É um evento! Tem festa! Eles se reunem como nas festas de fim de ano! As crianças, nas escolas, tendo intensivões sobre o amor a pátria e a bandeira. E isso é desde o kinder! Criancinhas pequeninicas, marchando, com bandeirinhas, coisinhas mais fofa.


Fotos que eu tirei aqui em SLP!

Momento gafe da série: Eu toda feliz , e achando lindo as comemorações pelo grito da Independencia, fui tirar uma foto da frente do Exército. Depois vim a saber que poderia ser presa, HAHAHAHA, já imaginaram? Ainda bem que pedi permissão pro senhor soldado e ele, deve ter visrto que eu era estrangeira pelo meu acento. Sim, salva pelo acento! Thanks God!





Por isso, antes da festa da Independencia, vamos fazer um resumão sobre o que foi isso aqui no México. Aula de História em 3,2,1...




O México foi colonizado pela Espanha , pelas grandes navegações, a partir do século XV. Durante quase três séculos, México esteve sob o domínio dos espanhóis. Foi somente no início do século XIX que um movimento de emancipação ganhou força e pressionou a metrópole colonizadora por sua liberdade, pois as divergências políticas e religiosas haviam se tornado agudas.

A luta pela Independência do México veio à tona na madrugada do dia 16 de setembro de 1810 quando o padre Miguel Hidalgo y Costilla, de uma pequena paróquia em Dolores Hidalgo,  passou a liderar um movimento em defesa do México.  Ele promovia discussões informais em sua casa e foram delas que nasceram as ideias para o movimento de independência do México. A guerra, oficialmente, declarada com o famoso episódio que ficou conhecido como “Grito de Dolores” (quando Miguel Hidalgo chamou a população para se juntar à luta, com o grito “Viva a Virgem de Guadalupe! Morte ao mau governo! Viva Fernando VII!”).
 Seria apenas o início de um movimento que duraria oito longos anos e passaria por diversas fases e dificuldades até resultar na emancipação mexicana. Inicialmente, os fatores religiosos eram proeminentes no conflito, porém, com o tempo, a questão republicana ganhou força.
O processo de Independência do México uniu grupos improváveis. Foi formada uma aliança com defensores da democracia do México, que eram os liberais, e com defensores da implantação de uma monarquia, que eram os conservadores. Esses dois grupos de perspectivas bem diversas uniram-se sob o propósito de tornar o México independente e, depois disso, deixar que ele escolha por si mesmo o próprio destino. O processo passou por várias fases, contando, inclusive, com movimentos de guerrilha.
José Maria Morelos y Pavón foi quem assumiu o movimento insurgente após a morte de Miguel Hidalgo. Ele foi responsável por organizar uma estratégia que isolaria a Cidade do México para que fosse promulgada a Independência no dia 6 de novembro de 1813. Porém, em 1815, Morelos seria assassinado e a independência seria invalidada. Foi então que o rumo da Independência do México assumiu características de guerra de guerrilha. Entre 1815 e 1821 destacaram-se Guadalupe Victoria e Vicente Guerrero



Em 1821, Augustín de Iturbide, um espanhol, passaria a defender a causa da independência. O exército da libertação entraria na Cidade do México forçando a renúncia do Vice-rei espanhol e a assinatura do Tratado de Córdoba, no dia 24 de agosto de 1821, que reconhecia o México como nação independente. No entanto, Iturbide se auto-proclamou imperador, o que levou a uma rebelião dos mexicanos. O movimento contra Augustín Iturbide levou à criação dos Estados Unidos Mexicanos, em 1823, consagrando Guadalupe Victoria como primeiro presidente do país no ano seguinte.



Ninguém sabe ao certo o que Miguel Hidalgo gritou ao certo no tal dia, há algumas frases ditas por aí, como essas versões:

Juan Aldama, general Insurgente (1811):
"¡Viva Fernando VII!, ¡viva América!, ¡viva la religión y muera el mal gobierno!"
Manuel Abad y Queipo, obispo (1810):
"¡Viva nuestra madre santísima de Guadalupe!, ¡viva Fernando VII y muera el mal gobierno!"
Lucas Alamán, político e historiador (1840):
"¡Viva la religión!, ¡viva nuestra madre santísima de Guadalupe!, ¡viva Fernando VII!, ¡viva la América y muera el mal gobierno!"



Portanto dia 16 de setembro é festividade pátria MÁXIMA do México. Além da independencia se comemora:

  • A defesa do Castillo de Chapultepec (13 de setembro de 1847).
  • A entrada triunfal  no México do exército Trigarante liderado por Iturbide, marcando o fim da Guerra da Independencia (27 de setembro de 1821).
  • O nascimento de José María Moleros y Pavón (30 de setembro de 1765).

Ninguém trabalha, nem a bolsa de valores, em todas as cidade são feitas celebrações cívicas e honras a bandeira. Sempre com desfiles e representações sobre os feitos ocorridos nesse dia.  Depois das honras, pratos típicos , danças folclóricas e mariachis.

Em março de 1811, o líder Hidalgo foi emboscado e preso. Foi julgado pela Santa Inquisição e condenado à morte, acusado de heresias e traição, sendo fuzilado meses depois, mutilado e ainda teve sua cabeça exposta publicamente em Guanajuato.

No me tengas lástima, sé que es mi último día, mi ultima comida y por eso tengo que disfrutarla; mañana ya no estaré aquí; creo que eso es lo mejor, ya estoy viejo y pronto mis achaques se van a comenzar a manifestar, prefiero morir así que en una cama de hospital”, disse Miguel Hidalgo y Costilla no territorio chihuahuense em 29 de julho de 1811, antes de morrer.


A Espanha só reconhece a independencia 15 anos depois.

Após 11 longos anos de guerras, muitas mortes , fracassos e vitórias, em 24 de agosto de 1821, o Tratado de Córdoba foi assinado. Este tratado reconhecia o México como nação independente, dizia que criollos e peninsulares teriam os mesmos direitos e que um rei criollo poderia subir ao trono se nenhum membro da realeza europeia aceitasse aquele posto.  A partir daí, iniciou-se o primeiro império mexicano.

A Espanha só reconheceu o México como um Estado independente e soberano em 28 de dezembro de 1836, com a Firma del Tratado "Santa Maria Calatrava". Com este documento, os reis espanhóis renunciariam a tudo relacionado a "Nueva España" (assim era chamado o México) como suas terras, propriedade e governo.


Meio Game of Thrones né? Com direito a cabeças degoladas e tudo mais!!! Bom, agora que já falei sobre a história do México, prontos pras festividades do Dia do Grito?
Na semana do da 16 eu posto pra voces!
Por enquanto, Viva México!







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3 comentários

  1. Que bom que você e sua família esta vivenciando essa nova cultura ,novos costumes,porque o nosso Brasil está cada vez pior.Aqui ontem nem nos canais de TV fizeram alguma menção que era dia 07 de setembro,teve desfile em alguns lugares do interior mas na sexta feira,ontem foi como um dia qualquer.Acho tudo isso que estais postando maravilhoso.Para muitos que acham que o Mexico e apenas uma rota para cruzar a fronteira e quartel de crime organizado deviam conhecer mais o Pais.Minha segunda ficou mais alegre.Eliani Vargas.

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  2. Realmente as comemorações da Independência aqui são demais! É como Natal!
    Beijo

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  3. Hoje de manhã acordei gritando : Viva México cabrones ! Ninguém entendeu nada !kkkkkkkkkkkkkkkk
    É engraçado ,porque a nossa independência eu nem lembro direito,e a do México todo ano é a mesma coisa .
    Que venha dia dos mortos pra eu fazer a festa também ! Arriba!

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