Dia dos Mortos - Altares!

Foi meu primeiro contato com as festividades do Dia dos Mortos.

Meu marido em uma das vezes que veio pra cá e eu fiquei no Brasil, me levou de presentinho uma mesinha cheia de coisinha e eu confesso que não entendi muito bem o significado daquilo, mas ele me explicou.

*fotos emprestadas do google.




Quem pensa que nada tem lógica, muito se engana. A festa e o altar em si tem toda uma explicação profunda.
Para as civilizações Mexica, Maya, Purépecha e Totonaca, a morte não tinha nenhuma conexão com o céu ou com o inferno, eles acreditavam que o destino de cada alma era determinado pelo tipo de morte que a pessoa teve e não pelo seu comportamento ao longo da vida. E que uma vez por anos todas as almas retornam a terra para encontram seus entes queridos. No dia primeiro de novembro retornam as almas das crianças e no dia dois as almas dos adultos.
 A morte é um personagem onipresente na arte mexicana com uma riquíssima variedade representativa: desde deusas, protagonista de contos e lendas, personagem crítico da sociedade (já falamos das catrinas), até convidada sorridente a nossa mesa. 


O altar dos mortos






O altar é a representação iconoplástica da visão que todo um povo tem sobre o tema da morte , e de como a alegoria conduz o seu significado a distintos temas implícitos e os representa com uma forma harmônica dentro de um só enunciado.
O altar dos mortos é um elemento fundamental na celebração do Dia dos Mortos. Os deuses acreditam que o espírito de seus defuntos regresam do mundo dos mortos para conviver com a família nesse dia, e assim consolá-los e confortá-los por sua perda.
O altar, como elemento essencial dessa crença,  se forma da seguinte maneira. Se coloca  num quarto, sobre uma mesa com niveis que representam as etapas da existência. Os mais comuns são os altares de dois níveis, que representam o céu e a terra; os altares de tres níveis adicionam a essa composição o purgatório. No altar de sete niveis, simbolizam os passos necessários para chegar ao céu a assim pode sescansar em paz. Este é considerado como o altar tradicional.Na sua elaboração temos que considerar certos elementos básicos. Cada um dos degraus é forrado de tecido negro e branco e tem um significado diferente. 



O primeiro degrau contém a imagem de um santo , o qual o morto era devoto. O segundo se destina ao purgatório; é útil porque por meio dele a alma do defunto obtém a permissão para sair do purgatório, caso aí se encontre. No terceiro degrau se coloca o sal, que simboliza a purificação do espírito para as crianças do purgatório. No quarto, o personagem principal é outro elemento central do Dia dos Mortos: o pão, que se oferece como alimento para as almas que por lá transitam. O quinto se coloca o alimento e as frutas preferidas do defunto. O sexto degrau se colocam as fotografias das pessoas já falecidas e das quasi querem recordar por meio do altar.
Por último, o sétimo degrau se coloca uma cruz formada por sementes ou frutas.


As oferendas e seus significados 




As oferendas devem contem uma serie de elementos e símbolos que convidem o espírito a viajar desde o mundo dos mortos para que convivam esse dia com seus familiares.
Entre os elementos mais representativos do altar esses se destacam: 

Imagem do morto
Na parte mais alta do altar. Se coloca de costas e em frente a ela se coloca um espelho para que o defunto só consiga ver o reflexo dos seus parentes, e estes, por sua vez, só o morto.

 A cruz
 Utilizada em todos os altares, é um símbolo introduzido por evangelizadores espanhóis com o  propósito de incorporar o catolicismo a uma tradiçãotão forte aos indígenas como a veneração dos mortos. A cruz vai na  parte superior do altar, ao lado da imagem do defunto, e pode ser de sal ou de cinzas.

Imagem das almas do purgatório
Esta se coloca para que, no caso de que o espírito se encontre no purgatório, se facilite sua saída. Segundo a religião católica, os que morrem com pecados sem confessar devem expor suas culpas no purgatório.
 
Copal (resinas aromáticas vegetais) e incenso
 O copal é um elemento pré hispânico que limpa e purifica as energias de um lugar  e as de quem aí está; o incenenso santifica o ambiente.


 
Arco
O arco se coloca na parte mais alta do altar e simboliza a entrada ao mundo dos mortos. Se enfeita com folhas e frutos.

Papel picado  
É considerado uma representação da alegria festiva do Dia dos Mortos e do vento. 



Velas
Significam a luz que guia a este mundo. São, por tradição, roxas e brancas, pois significam o duelo e a  pureza, respectivamente. 

Agua
A agua tem grande importância já que, entre outros significados, reflete a pureza da alma,  e também, um copo de agua serve para que o espírito mate sua sede depois da viagem do mundo dos mortos. Também pode dr colocar junto a água um sabão, uma toalha e um espelho para que assim, eles se recomponham.

Flores
Para enfeitar. A flor de cempasúchil é a flor que, por seu aroma, serve de guía aos espírito aqui neste mundo.



Caveiras
As caveiras são distribuídas em todo o altar e podem ser de açúcar, barro ou gesso, com enfeites e cores; São consideradas uma ilusão a morte e recordam que sempre estarão presentes.

Comida
O alimento tradicional que o morto apreciava é colocado pra que o ilustre visitante desfrute.

Pão
O pão é uma representação da eucaristia e foi agregado também pelos evangelizadores espanhóis. Pode ser de diversas formas, enfeitado com ossos, cruzes, e açúcar.

Bebidas alcoolicas.
Bebidas que o morto gostava. Geralmente são “caballitos” de tequila, pulque ou mezcal.

Objetos pessoais
Se colocam objetos pertencentes em vida aos defuntos, com a finalidade de que o espírito possa recordar dos momentos de sua vida. No caso de crianças, seus brinquedos preferidos.


Festividade

Começa quando uma pessoa da casa acende as velas do altar susurrando os nomes dos defuntos, se reza pedindo a Deus para que cheguem bem, os familiares se sentan a  mesa e dividem a comida preparada, ouvem música do agrado do defunto, conversam, se lembram do defunto e pedem por a intercessão do defunto a Deus.
A festa é um reencontro, breve, feliz com a promessa de um dia, a família se reencontrar.
Quando termina se apagam as velas e se despedem dos espíritos, desejando boa viagem e pedem para que retornem no próximo ano, dividindo todas as oferendas entre eles.

E você aí, pensando que era uma coisa simplezinha né?
Super interessante e complexo tudo isso, faz a gente repensar muito na maneira que encaramos a morte.
Sabe que eu me pego imaginando como seria meu altar, e não é mórbido não.
Teria minha caixa de DVDs de Friends, Cds do Bon Jovi, fotos da Frida Kahlo, latinhas de coca zero e de corona, além de meu passaporte, meu celular, livros de história da arte, uma boa feijoada....hahahahaha.
E muitas , muitas cores!
Nem ia ligar em voltar de vez em quando...

Não gente, to aprendendo que falar sobre morte não é tabu. É uma etapa da vida.

E voces? Como seriam os seus altares?







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3 comentários

  1. Para mim morte e uma palavra que eu ainda não consigo ou até não quero entender,mas adimiro e respeito a crença do povo Méxicano muito bonito o post,e como eles gostam de cores?!Por isso nem vou comentar como séria meu altar rsrs.Eliani Vargas.

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  2. Como Espirita - (Allan Kardec) acredito no mundo espiritual, apesar de não querer passar ainda pro lado de la....rsrsrrs....mas meu altar seria DVD Yanni/Andre Rieu/ Victor e Leo/ fotos da minha Lilica e da minha familia e amigos, meus livros...um belo bife a parmegiana..hummmm...Angelita

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  3. Estive nessa festa dos mortos no mexico e juro que fiquei encantada em ver o povo maquiado de caveiras , vc vê de crianças a pessoas adultas fantasiadas é uma cultura muito diferente da nossa , porém achei uma festa bela... Tirei muitas fotos e cada foto vc vê alegria no olhar dessas pessoas. Um jeito diferente de encarar a morte. Uma bela festa.

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