Como comprar uma casa no México, incluindo informações de financiamento.


Tem alguém aí querendo realizar o sonho da casa própria no México? Esse post conta a minha experiencia na compra de uma casa, financiada, usando Infonavit, com varias dicas importantes de como evitar más experiencias...





A gente reclama da burocracia do Brasil, e descobre em alguns processos que o ditado pessimista    “Não há mal que não possa piorar” se aplica, rs... ao menos essa foi minha experiência no processo de compra de domicilio no México. No Brasil eu tinha comprado apartamento financiado com FGTS, já tinha vendido casa, já tinha comprado à vista e jamais nada me preparou para a Odisseia que enfrentei na compra da minha casa a 1 ano atrás.

Como eu já havia comentado em posts anteriores, de todos os serviços que contratei no México, o serviço de corretagem de Imóveis foi um dos piores que já enfrentei, partindo do princípio que me mudei para 8 casas diferentes, tenho alguma experiência na área. Das dezenas de corretores que encontrei ao longo desses quase 8 anos, apenas gostei de uma, e afortunadamente foi a que encontrou a casa que gostei e comprei, mas isso não me impediu de querer fazer alguns bonecos vodoos durante o processo de compra.

Para os que não sabem, todos os trabalhadores registrados, recolhem o Infonavit (parecido com o nosso FGTS, onde parte do valor é recolhido pela empresa e outra parte pelo funcionário) e esse crédito vai sendo acumulado para a compra da casa própria.


Além desse valor que se recolhe, se pode solicitar uma das 3 modalidades de Credito Imobiliário:

Credito Infonavit: Com um valor máximo equivalente a uma casa popular, onde se usa o saldo do seu fundo Infonavit, com juros mais baixos que o do mercado. O valor da mensalidade é descontado da folha de pagamento e o valor recolhido do mês é usado como parte dessa mensalidade.




Credito bancário: Cada banco tem uma política diferente, mas basicamente é o mesmo princípio de qualquer empréstimo bancário, vão emprestar um valor máximo de acordo com seu rendimento e o risco que você representa, aplicando juros de mercado. O fato de ser estrangeiro, como em qualquer outro credito aumenta nosso fator de risco, e não há qualquer garantia de que um residente permanente consiga o empréstimo.

Confinavit: É um empréstimo que junta as duas modalidades, liberam seu saldo Infonavit para dar como parte da “entrada” e te emprestam uma parte via Infonavit com os juros mais baixos e emprestam outra parte via credito bancário com os juros do mercado.

Como muitos brasileiros radicados no México, fomos juntando nosso dinheirinho no cofrinho do Infonavit e chegou o momento tão desejado (onde somamos a entrada necessária com Infonavit e economias) de buscar nosso ninho permanente (ou ao menos essa era a expectativa) em terras Astecas. Decidimos fazer um financiamento Confinavit.

Aqui no México, podemos solicitar uma carta de crédito antes de ter um imóvel a vista, o que favorece o processo, inclusive porque como estrangeiros, nosso risco do valor a ser emprestado ser menor (que de um local com a mesma renda) é relativamente alto, assim que eu achei ótimo saber exatamente qual era o valor do meu crédito no banco para ter o pé no chão na hora de comprar. Uma vez tendo uma carta de credito, temos 90 dias para encontrar o imóvel, se passamos esse período é só pedir uma renovação da mesma.

Assim que fui nos principais bancos e pesquisei as melhores taxas de juros. Olho vivo porque cada um tem um estilo diferente, colocam tabelas mascaradas, TAC (taxa de abertura de crédito) se você não tem conta no banco solicitado pode ter que pagar a mais, se tiver dúvidas não hesite em buscar um assessor financeiro para explicar qual a melhor opção. Eu basicamente me fixei em montante principal, taxa de juros e valor mínimo de entrada, para facilitar minha comparação, e determinei o banco com que ia trabalhar meu crédito.

Exemplo de exigências do banco para fornecer o empréstimo:


Entreguei toda documentação exigida (começa a odisseia, que falta papel, e anexam outro, e ter que voltar para assinar, etc) e em pouco mais de uma semana tinha minha carta de crédito e um assessor imobiliário assignado. Comecei a via sacra de busca de casas, ultrapassei o período de 90 dias, solicitei uma nova e enfim achei a casa. No momento que você encontra uma casa se usa dar um dinheiro para “apartar” (reservar) a casa, o ideal é que seja realizado através de imobiliárias, pois o cheque caução fica em mãos da imobiliária e não do dono da casa, apenas em caso de garantia, é uma demonstração de boa fé do comprador. Nós optamos por dar um apartado e assinar o contrato de compra e venda apenas após a avaliação do imóvel, mais que nada com medo que houvesse qualquer problema na documentação do imóvel.


O 1º passo eu já tinha que era a carta de crédito, que me validava como compradora, o 2º passo é a avaliação do Imóvel, que o validaria como garantia de hipoteca, ou seja, o banco nunca perde, ele vai avaliar se o imóvel comprado vale o que se pede. No caso de uma avaliação Confinavit é necessária uma avaliação dupla (do banco e do Infonavit) a maioria dos bancos trabalha com empresas que são certificadas no Infonavit e fazem ambos processos em uma mesma avaliação.

Meu assessor imobiliário me enviou uma relação de documentos necessários, solicitei todos ao vendedor, entreguei pessoalmente tudo mastigadinho e organizado, com uma folha de check list para ser assinada por eles de que receberam e esperei (esperar e ter paciência é condição básica). Duas semanas depois se dignaram a marcar uma pessoa para avaliar o imóvel. Uma semana depois rejeitaram o imóvel para fins de financiamento. Disseram que por que o imóvel estava em uma rua rebaixada havia risco de inundação. O que era absolutamente ridículo pois a casa estava no alto de um morro de onde eu via todo o Vale de México. Eu expliquei ao assessor de credito que não tinha sentido nenhum e ele me recomendou outra empresa. O seguinte assessor, que ao menos foi mais rápido durante o processo, foi avaliar o imóvel e disse que por regra geral, o Infonavit rejeita de imediato por alguns critérios (dentre eles a casa que está rebaixada do nível da rua), mas isso só se aplica para o centro da cidade, (no caso da Ciudad de México) ou qualquer região onde a topografia implique em risco, que efetivamente o fato de estar no alto do morro não me oferecia qualquer risco de alagamento. O “avaluo” é pago pelo comprador, no meu caso tive que pagar os dois e consegui reembolso (após 30 dias e alguma cobrança) do primeiro.



Aqui segue o formato que devemos preencher para o avaluo e os requisitos necessários ao imóvel:


Uma vez que eu tinha a carta de credito que me validava como compradora e a avaliação do imóvel que o validava como bem a ser hipotecado achei que seria tudo muito mais rápido e logo teria minhas chaves na mão, até saber que ainda havia todo o processo notarial.




O pesadelo apenas começava. O banco também indica a notaria onde o processo deve ser tramitado, nessa hora reze para a roleta cair em um número de sorte, eu caí em um número que tinha todas as ziquiziras e urucubacas possíveis, ainda tenho pesadelos com a notaria 159. Para começar, não nos davam acesso ao “licenciado”, a assistente dele, que seguramente foi a pessoa que inspirou a Preguiça do Zootópia, foi quem nos passou o check list que deveríamos levar de documentação. Eu muito diligente, viajei os 31 km que separavam minha casa da notaria com toda a documentação em mãos. No dia seguinte ela me liga para dizer que a cópia do passaporte que ela pedia na lista tinha que ser de todas as folhas do passaporte e não apenas a frente. Já irritada fiz o maior malabarismo para buscar todas as cópias do passaporte do meu marido (desviando 18 km em outra direção) e levo novamente para ela. Chegando lá a pessoa tem a pachorra de me dizer que as copias deveriam estar assinadas em todas as folhas pelo meu marido. Foi quando eu desejei ter meu primeiro boneco vodoo. Isso apenas ilustra como foi todo o processo, recordando que havia ainda toda a parte de escritura da casa, documentos dos vendedores, comprovantes de luz, agua e predial, com vistorias do município para validar relógios, etc.

Um detalhe importante a destacar, é que pela nossa condição de estrangeiros, devemos solicitar do Departamento de Relações Exteriores (migração) uma autorização para a compra de imóveis em território mexicano. Temos o direito a compra e venda do imóvel, mas não temos direito ao território dessa propriedade, pois como estrangeiros não podemos ter domínio de terras mexicanas, a lei restringe regiões que podemos ter acesso, excluindo zonas de fronteira. Eu sou super cismada com a migração, até porque sempre tenho medo de ter um chilique e ser deportada, rs, e não queria ir até lá e enfrentar toda a burocracia, ai descobri que a notaria não tinha nenhum direito de exigir que fosse eu a tramitar essa carta, eles tinham que solicitar (faz parte do pacote gordo que pagamos de gastos notariais). Para os brasileiros casados com mexicanos OLHO!!! Se a notaria nao incluir esse documento no processo voce NAO tem direito a propriedade mesmo se for casado em comunhão de bens e tenha seu nome na escritura.


Me sentia presa nas malhas de uma burocracia emperrada, e não há nada que possamos fazer a respeito. O que mais me impactou em todo esse processo é que cada notaria trabalha de uma maneira diferente, com processos diferentes, uma amiga minha comprou uma casa 3 meses depois de mim e pegou a escritura antes. O custo de cada notaria também são diferentes, e não nos dão os custos finais até momentos antes de assinar o contrato e liberarem os recursos.




Junto a isso havia o processo de liberação do Infonavit, onde temos que enviar mais documentos, preencher uma série de informações on line, até mesmo um pequeno teste onde você comprova que sabe bem o que está fazendo ao se meter em uma dívida (até achei interessante, pois tem muita gente sem noção nenhuma, e considerando tratar-se de um credito popular é bastante instrutivo)

Depois de 3 meses de muita burocracia, stress e dores de cabeça, chegou o dia. Nos encontramos todos na notaria, leram todas as páginas da escritura, assinamos tudo e depois de "apenas" 5 horas, tínhamos apenas uma pré escritura, recebemos a chaves da casa. A escritura definitiva,  que deveria sair em 6 meses e tardou 1 ano.




Após ter em mãos a escritura e a declaración de translado de domínios (que é o documento que comprova que podemos passar os serviços do município para nosso nome) temos que ir até o município, pagar e transferir o imposto predial para nosso nome. Após esse tramite devemos fazer o mesmo no departamento de água e no departamento de energia (luz). É importante fazer isso para não ter problemas em um eventual processo de venda.

Uma das coisas que vale a pena saber sobre o credito Infonavit é que temos direito a um kit, que vários depósitos de materiais de construção e o Home Depot tramitam, esse valor depende de um percentual do seu financiamento e engloba a seguinte lista de materiais:


No mesmo mês que recebi a escritura definitiva eu me mudei a Guadalajara e coloquei minha casa em venda (quando consiga vender faço um outro post a respeito.) Mas já deixo uma informação mega importante que descobri a pouco:

Um estrangeiro residente no México (residência temporal, não o permanente) que for VENDER a sua propriedade pagará um imposto sobre a venda do imóvel que será no valor de 25% do valor do Imóvel ou 30% do valor do lucro. (Capitulo 5 Impostos do link abaixo)


Eu só fui informada disso porque a Pilar, minha asesora, foi pesquisar a respeito dos impostos que devo pagar e descobriu essa lei, muito correta me informou para evitar surpresas na hora finalizar o processo de venda, afortunadamente já sou residente permanente e a regra nao se aplica, mas me deu até dor de barriga saber disso...
Pois é pessoal, aqui temos um guia sobre todo o processo de compra de um imóvel, aqueles que se aventurem, boa sorte!! Que a força esteja com você!!


Escrito por:





Fabiana Giannotti, brasileira radicada no México desde 2008.. Blogueira, Escritora, Fotografa, Assessora a expatriados. Me considero afortunada por viver no México, aprender a respeitar e conhecer essa bela cultura. Conhecer, adaptar-se, aprender, mudar, acostumar, respeitar, amar o diferente são algumas coisas que descobri nos últimos anos, além do fato que, por mais perfeito que seja o plano tudo pode mudar de repente...

E-book, livro digital – Venda direta: fabiana.giannotti@yahoo.com.br



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2 comentários

  1. Jesus, Maria e José! Que burocracia dos infernos!!!
    Tem coisas que ai me parecem ser mais práticas, mas tem outras.... rs

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  2. Isso porque ainda nao escrevi sobre a venda rss... qdo postei sobre a compra já tinha assinado o contrato de compra e venda da casa, mas ainda nao consegui finalizar o processo pela lentidao da Notaria... é um absurdo!!!!

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