Português como lingua de Herança



Oi pessoal, o papo de hoje é sobre um aspecto que muitas pessoas nao pensam muito a respeito antes de se mudar de país. No começo a grande duvida e preocupaçao dos pais de brasileirinhos que chegam em terras estrangeiras é a adaptacao das criancas ao idioma e cultura local, movemos céus e terras para incluir-los, sofremos com cada tropeço, e entao, como todos diziam, nossos filhotes estao enrolando a lingua e dando um baile na gente, nos corrigindo nos nossos rrrrr`s e lllll's. 

Sentimos que nossa missao está cumprida, conseguimos. E entao, muitos pais se deparam com o fato dos filhotes se acostumarem tanto com o idioma local que já nao querem usar o portugues em familia. Com o uso de skype, facetime, videos de whats a familia local faz aquela cara de WHAT?? quando o neto/sobrinho começa a misturar todas as palavras e a gente tenta fazer traduçao simultanea.

Entao, para aqueles que se preocupam sobre a importancia de usar ou nao o portugues em casa, considerando que nem sempre é facil, os convidamos para saber um pouco mais do movimento de brasileiros, pais, educadores em todo o mundo: Portugues como lingua de herança.





Há um movimento em muitos grupos de expatriados, em manter o português como língua de herança. É uma preocupação que muitos pais têm, especialmente aqueles que já não tem intenção de regressar ao Brasil, e há muita controvérsia a respeito dessa decisão.

Até que ponto vale a pena manter o português em países onde não há nenhuma proximidade com esse idioma? Porque se dar ao trabalho de exigir um esforço extra, e na maioria das vezes lidar com uma grande resistência por parte da sociedade como um todo e das próprias crianças?

Esse movimento visa justamente manter a identidade e cultura da seguinte geração, com os valores familiares, costumes e manter o acesso a família que fica no Brasil. Basicamente, como você  deve saber, ao viver em outro país, é difícil sentir em outro idioma, seja amor, raiva, ternura, as primeiras palavras que vem a nossa mente, as canções de ninar, na hora da bronca, vêm o português. É nossa língua mãe, a que gerencia nossos instintos básicos.





Muitos pais não ficam confortáveis em falar em português com seus filhos, com medo de ofender os amigos ou familiares locais. Às vezes a própria criança desenvolve um bloqueio, se recusa a falar em português, seja por comodidade (especialmente os menores) ou por vergonha (os maiores).

Muitas pessoas criticam o pai/mae que fala português por isolar os demais do convívio ou conversa. Alguns pediatras ou fonoaudiólogos, são contra o bilinguismo, pois acham que pode ocorrer um retraso no desenvolvimento da fala. Outros profissionais estimulam o uso de 2 ou mais idiomas, com a crença de que as crianças têm plenas condições e capacidade de desenvolver inúmeros idiomas nos primeiros anos de vida. Não há conclusões cientificas em relação a potencial retraso na fala de bilíngues, são linhas de pensamento apenas. Porém há inúmeros estudos que comprovam que o cérebro de uma criança bilíngue possui uma anatomia e estímulos diferentes de um monolíngue.






Para os que são casados com estrangeiros sugiro especialmente a análise do método OPOL (Link en español: ONE PARENT ONE LANGUAGE). Já conheci muitas famílias onde ambos pais falam apenas português e os filhos se recusam a falar nosso idioma, é uma escolha pessoal, da família e eu sugiro obter informações antes de tomar essa decisão.

Qualquer que seja sua escolha você será julgado, seja por “forçar” seu filho, seja por “esquecer” suas raízes. Todo expatriado com filhos viverá momentos de “portunhol”, “spanglish” ou algo do gênero. Isso faz parte da riqueza cultural de mesclar diferentes experiências. Não há certo ou errado, cada família escolherá o método e maneira que mais se adapte à sua forma de ser e viver.




Escrito por:


Fabiana Giannotti, brasileira radicada no México desde 2008, praticamente uma expert em mudanças depois de encontrar e mudar para 8 casas em 7 anos, além de acumular experiências em tradução, aulas de português, e assessoria para expatriados. Adoro escrever, conversar, fazer novos amigos, viajar. Me considero afortunada por viver no México, aprender a respeitar e conhecer essa bela cultura. Conhecer, adaptar-se, aprender, mudar, acostumar, respeitar, amar o diferente são algumas coisas que descobri nos últimos anos, além do fato que, por mais perfeito que seja o plano tudo pode mudar de repente...

Para quem busca serviços personalizados, tramite de documentação e assessoria no processo de expatriação ao México, além de todas as informações disponíveis no Blog oferecemos um serviço personalizado a suas necessidades: 


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2 comentários

  1. Como avó de expatriado, sou totalmente a favor de se falar o português no âmbito familiar. Meu netinho foi para o México com menos de 3 anos e rapidamente aprendeu o espanhol sem deixar de falar em português. Minha netinha, nascida no México me surpreendeu: quando começou a falar, se dirigia a mim, seu irmão e pais em português; com a "muchacha" e demais pessoas locais, instantaneamente mudava de "chip" e falava em espanhol. Como ambos estudam em escolas bilíngues, hoje, com 11 e 7 anos respectivamente, falam, leem e escrevem sem problemas em português, espanhol e ingles. Além do estimulo intelectual, acho super importante para seu crescimento emocional, que possam se comunicar comigo, suas tias e bisavós no nosso idioma.

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    1. É isso ai mami, afinal de contas, familia é o maior legado cultural que podemos deixar para os filhos!!

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