Barrados na Migração - 7 dicas de como evitar

Então pessoal, sobre os brasileiros barrados no México...




A galera tá preocupada a respeito, gente que está programando vir passar férias aqui, ou mesmo gente que se indigna com a situação, ou se solidariza com um ou outro caso. “Eles faziam tudo certinho, quem paga o prejuízo? E a humilhação? ” Pois é gente, é o risco que se corre ao entrar em qualquer país, inclusive estrangeiro no Brasil, pois caso não saibam, o Brasil tem uma política duríssima de reciprocidade. Para cada país que coloca entraves na questão do visto ou entrada no país local, o Brasil aplica as mesmas regras e sanções. Ou seja, um canadense sofre muito menos para entrar no Brasil do que um americano ou mexicano.

A imigração de qualquer país tem o direito de barrar a entrada de um estrangeiro e não precisa (até por questões de segurança) dar explicações para ninguém. Os brasileiros não precisam de visto para entrar no México, mas todo turista tem que passar por uma entrevista assim que desembarca. E ainda que cumpra os requisitos (como ter dinheiro em efetivo, hotel reservado, passagem de volta), nao há qualquer garantia que você possa entrar. É um funcionário da alfândega que decide quem passa e quem é mandado de volta. E nem sempre eles são amáveis, gentis ou tratam bem, e quanto mais “direitos” você exigir, pode ser que mais resistência crie. Lembre-se que esse é o trabalho dele.

As questões podem envolver os mais diversos temas, como denúncias de grupos de imigração clandestina, homônimos, ou até mesmo o fato de que infelizmente, o volume de brasileiros que estão tentando a sorte, querendo “Fazer América” em diversos países, e ficando como ilegais, está crescendo assustadoramente. Poxa, mas eu não sou assim, eu estava fazendo tudo certinho... pois é, em alguns casos bons brasileiros pagam pelos maus.



Nosso blog tem mais de 1.2 milhões de acessos e somos uma referência para muitos brasileiros em todo o mundo em relação ao México, por isso mesmo recebemos diariamente uma quantidade crescente de e-mails, mensagens de pessoas que querem vir para cá “tentar a sorte”. México, como muitos outros países que estão sofrendo um pouco menos que o Brasil com a crise mundial, desde o aumento de restrições por parte de EUA, por conta de não exigir visto de entrada, falar espanhol e ter fama de camarada, tem se tornado uma opção interessante para brasileiros que estão loucos para sair do Brasil. Isso é um fato.

Outro fato é que muitos desses brasileiros, sem qualificação, sem emprego, muitas vezes sem educação e respeito pela cultura local (não só em relação ao México, mas a qualquer outro país), acha que com o “jeitinho brasileiro” pode chegar e arrasar. Aí, as estatísticas de brasileiros ilegais, praticando atos ilícitos ou criminosos, vai aumentando e isso por si só pode ser uma razão para a migração olhar duas vezes para um brasileiro na fila, e se questionar a respeito.

É triste ver como nossa fama é ruim em todo o mundo. Somos festeiros, alegres, divertidos, mas também somos conhecidos pelo sexo fácil, prostituição, desrespeitos a regras, violência, roubo, suborno. Nem todo brasileiro é assim. Mas cultura gente é algo interessante, muito brasileiro acham que as pessoas têm que respeitar nossa cultura e forma de ser em qualquer parte do mundo, mas esquece que ele é o estranho no ninho. Querem que Roma se adapte a ele, e não o contrário. É complicado, eu já senti vergonha alheia muitas vezes nesses anos fora do Brasil...

Sair do país mesmo que de férias é entrar em território estrangeiro, sujeito a regras locais. Vir sem falar o idioma local, sem conhecer a cultura local, os conflitos existentes e sem se expressar corretamente, pode gerar ruído e causar uma deportação ainda que as intenções sejam puríssimas.

Sinto muito por brasileiros bons que pagam a conta de brasileiros ruins. Sinto muito por mexicanos que pegam pesado. Eu mesma já me irritei sobremaneira com a migração mexicana, é um momento que estamos submetidos de forma injusta e arbitrária, a um ser humano falível, que as vezes está de mau humor e tem uma relação de poder do outro lado, com um carimbo na mão que pode complicar nossa vida. Assim como já me irritei no consulado americano ao ter que explicar a um gringo que eu não sou terrorista e meu batom não é uma arma letal da agente 89. E tenho certeza que muitos estrangeiros já sofreram nas barreiras brasileiras.

Existem algumas dicas de coisas que você pode fazer para tentar evitar problemas:


1 - Ter passagem de ida e volta, um pouco de dinheiro vivo. Se for visitar alguem tenha uma carta convite com todas as informacoes da pessoa local.


2 - Coloque todas as informacões em espanhol, onde vai ficar, roteiro, referencias.


3 - Seja amável, cortes, fale olhando nos olhos, não demonstre nervosismo, responda claramente apenas o que te perguntarem.



4 - Fale sobre o que voce sabe do país, sobre pontos turisticos que quer conhecer, de forma respeituosa.



5- Preencha corretamente todos os papéis migratorios (aqueles que te dão no avião).



6 - Se tiver uma carta da empresa onde trabalha informando que você é funcionário lá, e está de férias, é uma garantia a mais.



7 - Nao usar boné, óculos escuros, roupas de mais ou de menos. Encaixe em um padrao casual.




Eu já aprendi que mesmo exausta depois de 10 horas de voo e quase 24h de translado, sem dormir e com filhos mal-humorados, é melhor ser simpática, amável, olhar nos olhos com cortesia e gentileza, mesmo que a pessoa do outro lado seja grosseira. E apostar na sorte. Quer ter a certeza absoluta de que não vai haver riscos? Fica no Brasil. Esses casos ainda são exceção, mas garantias não existe.


PS: Caso venha a ser detido por alguma autoridade estrangeira, você tem o direito de pedir para telefonar para sua Embaixada ou Consulado. Faça uso desse direito.  O telefone de emergência do Consulado é: 044 55 3455-3991
O Consulado do Brasil no México não tem o poder de reverter a decisão da autoridade migratória local em casos de inadmissão. Trata-se de decisão soberana das autoridades migratórias de cada país.
texto obtido através do link




Escrito por:





Brasileira radicada no México desde 2008, casada, 2 filhos, descobri o que era ser mãe 24h e dona de casa após vir para cá. Quase uma expert em mudanças após mudar 8 vezes em 7 anos, além de acumular experiências em tradução, aulas de português, corretagem de imóveis e assessoria para expatriados. Adoro escrever, conversar, fazer novos amigos, viajar. Me considero afortunada por viver no México, aprender a respeitar e conhecer essa bela cultura. Conhecer, adaptar-se, aprender, mudar, acostumar, respeitar, amar o diferente são algumas coisas que descobri nos últimos anos, além do fato que por mais perfeito que seja o plano tudo pode mudar de repente... 


Para quem tem interesse em serviços especificos em assessoria ao processo de mudança:
http://fabianagiannotti.wixsite.com/mudandoparaomexico

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2 comentários

  1. Tudo muito interessante,gostaria de acrescentar que o México tem uma relação com estrangeiros bem diferente do Brasil.Aqui nós tivemos uma política oficial de atraí-los,preferencialmente da Europa, pois achavam antigamente que o atraso do país se devia ao fato de termos uma população majoritária não-branca(RACISMO).Em contrapartida no México nunca se fomentou a imigração em massa e devido às invasões estadunidenses sempre tiveram uma desconfiança dos gringos,por outro lado desde muito tempo procuram atraí-los para fins turísticos,de tal maneira que hoje estão estre os dez países mais visitados do mundo,ao contrário da gente,pois nunca fomos um destino turístico internacional relevante.A conclusão que pode-se tirar destas informações é que para turismo o país azteca talvez não represente um desafio para à entrada ,mas para residência é exatamente como foi descrito acima,as pessoas que não possuem boa educação formal ou um bom nível cultural e interesse pela cultura mexicana,além de boas maneiras,provavelmente não vão se adaptar ao país.A razão disso é simples,enquanto aqui chegaram muitos europeus sem qualificação nenhuma apenas no intuito de marginalizar ainda mais os negros que acabavam de se ver livres da escravidão,na terra de Montezuma só uns poucos imigrantes mais qualificados entraram para cobrir uma necessidade do mercado de trabalho onde os locais estavam em falta.Com licença,só gostaria de acrescentar isso.Saludos,Isaac Carneiro Victal.

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